Sim, embora seja bem menos comum. Quando os sintomas começam antes dos 65 anos, costuma-se falar em Alzheimer de início precoce (ou jovem). Em alguns casos, os primeiros sintomas podem aparecer ainda aos 30 ou 40 anos, mas isso é raro.
Como identificar?
O mais importante não é um esquecimento isolado, mas perceber mudanças persistentes e progressivas que começam a atrapalhar a vida cotidiana.
Alguns sinais de atenção são:
• esquecer informações ou acontecimentos recentes com frequência;
• repetir as mesmas perguntas ou histórias;
• dificuldade crescente para encontrar palavras ou acompanhar uma conversa;
• dificuldade para planejar, organizar ou resolver problemas que antes eram simples;
• dificuldade para realizar tarefas habituais, inclusive no trabalho;
• perder-se em lugares conhecidos;
• colocar objetos em lugares incomuns e não conseguir lembrar onde os deixou;
• mudanças importantes de comportamento, personalidade ou julgamento;
• dificuldade para lidar com dinheiro, contas ou outras atividades que antes realizava normalmente.
Um ponto importante, nem todo problema de memória em uma pessoa com menos de 60 anos significa Alzheimer. Depressão, ansiedade, estresse intenso, alterações do sono, alguns medicamentos, problemas metabólicos, deficiência de vitaminas e outras doenças neurológicas podem produzir sintomas semelhantes. Por isso, é necessária uma avaliação médica.
Essa possibilidade não é apenas teórica. Existem pessoas com Alzheimer e outras demências diagnosticadas antes dos 65 anos. As estimativas são limitadas, justamente porque os casos são menos frequentes e podem ser diagnosticados mais tarde. A Alzheimer’s Association estima cerca de 110 pessoas com demência de início jovem para cada 100 mil pessoas entre 30 e 64 anos nos EUA.
Além disso, o diagnóstico em pessoas mais jovens pode ser mais difícil porque os sintomas às vezes são atribuídos inicialmente a estresse, depressão, menopausa ou excesso de trabalho, o que pode atrasar a investigação.
E existe componente genético?
Existe, mas é importante não pensar que todo Alzheimer precoce é hereditário. A maioria dos casos de início precoce não é causada por uma única mutação genética conhecida. Entretanto, formas familiares raras estão associadas a alterações nos genes APP, PSEN1 e PSEN2 e podem provocar a doença antes dos 65 anos, às vezes muito mais cedo.
Hoje também existem exames que ajudam na investigação, incluindo biomarcadores no sangue, mas um exame isolado não deve ser usado para concluir que uma pessoa tem Alzheimer. A avaliação precisa considerar história clínica, evolução dos sintomas, testes cognitivos e, quando indicado, exames laboratoriais e de imagem e/ou biomarcadores.