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  • 19-01-2026
  • Compulsão alimentar na demência

    Entre os diversos sintomas e comportamentos associados às demências, a compulsão alimentar é um dos que mais causam estranhamento e dificuldade para familiares e cuidadores. Comer repetidamente, pedir comida logo após as refeições, esconder alimentos ou ingerir grandes quantidades sem perceber saciedade, não é “falta de educação” ou “teimosia”, mas sim uma manifestação da própria doença.
    Por que a compulsão alimentar acontece?
    A demência provoca alterações em áreas do cérebro responsáveis pelo controle dos impulsos, percepção de fome e saciedade, memória e comportamento. Em muitos casos, o idoso simplesmente não se lembra de que acabou de comer. Em outros, perde a capacidade de reconhecer os sinais do próprio corpo que indicam que já está satisfeito.
    Além disso, algumas demências, como a demência frontotemporal, afetam diretamente o comportamento, aumentando impulsividade, ansiedade e busca por prazer imediato. O alimento passa a ser uma fonte rápida de conforto emocional. Mudanças no paladar e no olfato também são comuns, levando à preferência por alimentos mais doces ou calóricos.
    Fatores emocionais contribuem ainda mais para esse quadro. A insegurança, a confusão mental, o tédio e a ansiedade podem levar o idoso a comer como forma de aliviar o desconforto interno. Em alguns casos, medicamentos também influenciam o apetite.
    Como lidar com a compulsão alimentar?
    O primeiro passo é compreensão e acolhimento. Brigar, restringir de forma rígida ou constranger o idoso tende a aumentar a ansiedade e piorar o comportamento. A abordagem deve ser calma, respeitosa e estruturada.
    Algumas estratégias ajudam no dia a dia:
    • Estabelecer rotinas alimentares fixas, com horários bem definidos, traz segurança e previsibilidade.
    • Oferecer refeições fracionadas, em menores quantidades ao longo do dia, ajuda a reduzir episódios de compulsão.
    • Substituir alimentos calóricos por opções mais saudáveis, como frutas, iogurtes, legumes cozidos ou lanches leves.
    • Evitar deixar grandes quantidades de comida à vista, especialmente doces e ultraprocessados.
    • Redirecionar a atenção quando o pedido por comida surge logo após a refeição, oferecendo uma atividade, conversa ou caminhada leve.
    Também é fundamental observar se há riscos associados, como engasgos, ganho excessivo de peso ou alterações metabólicas. Nesses casos, o acompanhamento com médico, nutricionista e equipe multiprofissional é essencial para ajustar a alimentação e, se necessário, rever medicações.
    Lidar com a compulsão alimentar na demência exige paciência, empatia e orientação adequada. Com estratégias corretas e apoio profissional, é possível proteger a saúde do idoso e tornar o cuidado mais seguro e equilibrado para todos.


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